segunda-feira, 30 de maio de 2016

Gopal Mata, 90 Anos de Renúncia e Bhajana em Vrindavana



27 de maio de 2016

Sadhus de Vrindavan dos Dias Modernos

Ela faleceu 3 anos atrás [em 2013, aos 110 anos]. Seu último local de residência foi uma pequena tenda perto do Jagannath Mandir em Vrindavan. Se não soubéssemos sua história, ela se pareceria com qualquer senhora idosa de branco com a cabeça raspada, que às vezes chamamos erroneamente de ‘viúvas’...

“Quando vim para Vrindavan em 1923 havia muitos animais selvagens de quatro pernas, agora há muitos mais dos de duas pernas.” – Gopal Mata.

“Vim para Vrindavan 80 anos atrás, quando tinha vinte e um, e vivi na floresta nos primeiros doze. Muita gente diz ‘senhora doida, senhora doida’, mas o que me importa? É como um elefante que anda com cachorros latindo ou pessoas jogando pedras nele. Mas o elefante não se incomoda, ele continua a andar. Eu também ignoro o que as pessoas dizem, e sinto que meus pecados estão sendo lavados pelos insultos deles.

Uma vez eu estava em pé na beira do Rio Yamuna e ouvi uma voz me dizendo ‘Pegue-me, pegue-me’, e foi assim que encontrei esta Deidade, este Gopala Krsna. Eu acho Deidades todo o tempo no Yamuna, e então eu As deixo em vários templos.” – Gopal Mata.

Gopal Ma tinha 104 anos quando a encontramos há mais de cinco anos. Ele relembrou com claridade que veio para Vrindavan em 1923, quando tinha 20 anos. Ela escolheu esta vida ao invés da vida convencional de se casar etc. O nome de Gopal Mata dado por seu guru era Ananat Vallabhi Mohanto.

Por muitos anos ela viveu como um asceta, ela disse que teve jata [tranças embaraçadas] que iam até o joelho, dormia embaixo de uma árvore toda noite na época que chegou aqui. Sua rotina era banhar-se no Yamuna e fazer o Parikrama ao redor de Vrindavan três vezes todo dia. Um copo de leite à noite sustentava seu corpo. Isto é o que ela ainda estava fazendo quando a encontramos, embora não houvesse mais locais livres ou tranquilos para ela dormir como antes e frequentemente ela ficava na casa de alguém temporariamente. Era difícil ela dizia, ela não gostava muito dessa proximidade contínua com as pessoas.

A encontramos uma vez na casa de uma família brajwasi, ela estava ficando lá brevemente. Ela nos mostrou suas belas Goverdhan shilas, intricadamente pintadas por ela e uma shaligram shila requintada e rara. Da vez seguinte, a vi poucos meses depois, ela disse que tinha se mudado pois havia muito violência pela área. Gopal Ma nos disse que uma vez encontrou uma antiga Deidade astha dhatu [feita de oito metais] no Yamuna (ela ouvia essas Deidades falando com ela e achou muitas e as pegou, isto foi confirmado por muitas pessoas que a conhecem pelo Kesi Ghat).

Esta Deidade foi apropriada pela Pesquisa Arqueológica da Índia e Gopal Mata foi levada para encontrar o presidente da Índia. Ela me disse o nome, mas eu esqueci qual presidente era. Enquanto estava em Delhi, ela disse que Krishna a repreendeu e lhe perguntou se isto era o porquê de ela ter vindo para Vrindavan. Então ela retornou imediatamente. Gopal Ma dificilmente fala, nos disseram, e era muito incomum que ela tenha falado tanto quanto fez. Ela era muito ativa em Vrindavan assim que chegou aqui, ajudando as viúvas etc., mas tudo isto foi muito restrito pois afinal ela tinha o coração de uma asceta solitária. Ela carregava sua pequena Deidade de Gopal (também recuperada do Yamuna) em uma cesta. Ouvimos que os pandas de Bankey Bihariji colocavam o Thakurji dela no altar quando ela ia lá. Se não soubéssemos sua história, ela se pareceria com qualquer senhora idosa de branco com a cabeça raspada, que às vezes chamamos erroneamente de ‘viúvas’.

Obrigado à Radhika Goswami por compartilhar.

Foto, cortesia de Laksmi Greenberg.


Tradução por David Britto, 30 de maio de 2016 (atualizado em 01 de maio de 2016)

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